quarta-feira, 3 de junho de 2009

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Evolução do Sistema de Chaves
A evolução da charamela para o clarinete, da responsabilidade de Johann Denner, traduziu-se na criação de
um instrumento que na época (ap. 1690) não tinha mais do que 7 buracos e 2 chaves “operando” num
curtíssimo registro tímbrico de 12ª.
Por volta de 1700, J. Denner colocou as 2 chaves de tal modo que uma delas (chamada “chave de registro”)
possibilitou o aumento da tessitura do clarinete para aproximadamente 3 oitavas.
Em 1710, Jacob Denner, filho de Johannn, efetuou várias experiências na colocação das chaves descobrindo
posições que permitiam atingir registros mais agudos e uma melhor afinação.
Por volta de 1740 foi introduzida a terceira chave e em 1778 o clarinete standard tinha já 5 chaves. Não
obstante, nesta altura o clarinete era, sobretudo tocado por oboístas que tocavam ambos os instrumentos
(oboé e clarinete) não havendo a tradição de um instrumentista se dedicar em exclusivo ao clarinete.
É curioso notar que foi para o clarinete de 5 chaves que Mozart escreveu o seu Concerto e Quinteto. É
extraordinário imaginar a agilidade e virtuosismo do instrumentista a quem na altura coube a missão de
executar tais obras, considerando a complexidade dinâmica, tímbrica e cromática das mesmas, por um lado, e
as limitações técnicas de um instrumento com apenas 5 chaves.
O clarinete de 5 chaves manteve-se como standard até princípios do séc. 19, altura em que Ivan Muller
introduziu lhe importantes modificações, de tal ordem que é por muitos considerados como o verdadeiro pai do
clarinete moderno.
Ivan Muller, nascido na Rússia, fixou-se por volta de 1809 em Paris, cidade onde se situavam os principais
fabricantes de instrumentos em madeira da época. Começa então a introduzir alterações na construção do
clarinete, desenvolvendo intrincados mecanismos de chaves, permitindo combinações técnicas que de outro
modo só seriam possíveis com recurso a dedos suplementares...
Muller apresentou o seu “invento” (um clarinete com 13 chaves) ao Conservatório de Música de Paris em
1813.... E foi chumbado redondamente. Tal rejeição não derivou diretamente do sistema apresentado por
Muller, mas sim do entendimento que os mestres da época partilhavam de que este tipo de clarinete, com
afinação em Sib poderia acabar com os outros tipos de clarinete então existentes (com diferentes afinações)
pondo em causa a variedade tímbrica e recursiva a que tais diferentes clarinetes se prestavam.
O passo seguinte da evolução do clarinete foi à adaptação ao clarinete do sistema Boehm.
Tal como se referiu anteriormente, a introdução e estandardização do sistema Boehm decorreu a partir da
adaptação do sistema usado na flauta (cuja criação é atribuída a Theobald Boehm).
A idéia básica deste sistema é que a colocação dos orifícios do instrumento é feita em função de critérios
acústicos mais do que em critérios de conforto manual (os orifícios dos clarinetes não Boehm eram projetados
para facilitar o manuseamento mecânico das mãos). Desta forma, o recurso às chaves para abertura e oclusão
dos orifícios reveste-se de particular importância esbatendo assim as dificuldades mecânicas. O clarinete
boehm é hoje em dia composto por 17 chaves.
Este sistema foi, entretanto aplicado não apenas ao clarinete, mas também ao oboé e saxofone. Um sistema
híbrido é ainda utilizado no fagote.
O sistema Albert, como já se disse, ainda é usado em algumas regiões da Europa e Estados Unidos. A
principal limitação deste sistema de colocação dos dedos é que “obriga”, em determinadas circunstâncias, ao
cruzamento de dedos (dificuldade que o sistema Boehm ultrapassou) o que se torna particularmente limitante
em passagens mais difíceis que exijam destreza de dedos.
O sistema Auler (pronuncia-se “oiler”) por seu turno, também requer o cruzamento de dedos e difere bastante
do sistema Boehm. A sua principal particularidade reside na utilização de chaves com “rolamentos”
semelhantes às que se encontram nos saxofones. Este tipo de clarinete apresenta um conjunto de 22 chaves e
é usado, sobretudo na Alemanha

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